terça-feira, 24 de novembro de 2015

Coffee Crawl



Antes de começar, clique para ouvir a música do Odelaf - Le Cafe, pra entrar no clima.

Eu deveria tomar menos café. De manhã, a tarde, a noite. Espresso, coado, french press, chemex, sifão, aeropress. Pouco importa. Não dispenso uma xícara de um bom café. Nem de um mau café. E por isso sempre pensei em fazer Coffee Crawls em POA - uma baita cidade pra beber café - nos mesmos moldes dos Pub Crawls, mas pra conhecer lugares pra beber um bom pretinho. Um dos roteiros que eu imaginei é no centro da cidade e passa pelos seguintes lugares:

Começaria muito certo por essa loja de doces. Porque a Cönfeita é um lugar pequeno, charmoso, com café coado com refil livre. Sim. Refil livre. LIVRE.
Pra começar tomando um monte de café e saboreando as diversas delícias e tentações da vitrine. O conceito da loja é consistente e já é um dos meus lugares favoritos de Poa pra curtir um começo de tarde. A foto é do @ivanguterres.
Fica na Rua Coronel Fernando Machado, 899 - Centro Histórico
51 - 3061.0511

Após uma caminhada pela Av. Borges de Medeiros chegamos às Lojas Renner da rua da Praia. Alguns lances de escadas acima chegamos a um café histórico com fotos, registros e equipamentos da antiga livraria e editora Globo, que teve seu auge nos anos 40. Na minha opinião é a melhor loja do Café do Porto, com uma beleza nostálgica, espresso correto e os janelões pro centro de Poa.
Fica na Rua dos Andradas, 1416 - 3º Andar - Lojas Renner - Centro Histórico
51 - 2117.7430


Duas quadras abaixo está o Café do Mercado, a marca de café que é a cara da capital dos gaúchos. Com duas lojas pequenas dentro do Mercado Público, é um ótimo lugar para tomar um espresso, comer um salgado, ler o jornal do dia, olhar o movimento, comprar café - em grãos ou moído - pra levar pra casa. Tudo com um atendimento simpático e uma pegada informal.
Fica na Galeria Mercado Público - Banca F - Quadra II - Centro Histórico
51 - 3224.2890


Café do Cofre - Mário Marzana

Um café, dentro de um cofre, dentro de um centro cultural. Essa é a proposta do Café Mário Marzana, no Santander Cultural. Depois de passear por alguma das ótimas exposições a pedida é descer até o cofre e tomar um bom café com um salgado. O local é confortável e bem iluminado, apesar do espaço fechado.
Fica na Rua Sete de Setembro, 1028 - Centro Histórico
51 - 3212.9583



Café Santo de Casa
Não conheço lugar mais bonito para terminar um Coffee Crawl no fim de tarde. Tomar um café ouvindo boa música e assistindo ao pôr-do-sol mais bonito do mundo - dizem por aí - é uma experiência inigualável. No verão, o café gelado Xangô pra refrescar. No inverno, um Padrinho Cícero. E ver a noite começar lenta e agradável e promissora.
Rua dos Andradas, 736 - 7º andar - Casa de Cultura Mario Quintana - Centro Histórico
51 - 3226.0789


E aí? Quem topa esse passeio?

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Não gosta de cerveja?



Sempre que alguém me diz que não gosta de cerveja penso sempre a mesma coisa: essa pessoa não provou amostras suficientes. O universo das cervejas é tão enorme e variado que dizer que não gosta da bebida após provar algumas poucas amostras de american lagers é como dizer que não gosta de cinema depois de assistir o Batman & Robin de 1997. Ou dizer que não gosta de música dos anos 80 porque ouviu Tarzan Boy (night to night, gimme the other, gimme the other) da Baltimora.

Alguns cismam com o amargor. Pra essas pessoas posso dizer que nem toda a cerveja é amarga. Cervejas de trigo geralmente tem pouco amargor, com destaque para as witbiers, que geralmente levam cascas de frutas cítricas e coentro. São muito refrescantes e fáceis de beber. Outra questão é que o organismo pode se acostumar com o amargor. Ajuda se provarmos o amargor com outros sabores, variando por exemplo os estilos de cerveja degustados. Quanto maior a exposição mais fácil a pessoa irá se habituar.

Para os que reclamam do gosto, existem cervejas com os mais diversos sabores. Dos mais ácidos e frutados das fruit beers e lambics, passando pelos defumados da rauchbier, os caramelizados das ale e os de torrefação das stout. Tem aquelas com mel, pimenta, maracujá, limão, chocolate, caramelo, framboesas, pêssegos… Tantos sabores quanto há paladares por aí dispostos a prová-los.

E tem os que questionam: ‘já provei algumas, não gostei… pra que me dar o trabalho de continuar provando?’. E a resposta é porque vale o eventual esforço. Quem bebe cerveja acaba aprendendo sobre história, geografia, cultura e gastronomia. Tem menos chances de contrair osteoporose, de ter um infarto e de ter pneumonia. Tem assunto na mesa do bar, ri mais fácil, interage melhor e ainda tem mais chance de se dar bem num primeiro encontro.



Não é só o delicioso gosto da ceva, mas tudo o que vem de bônus. Portanto, se você ainda não é fã das geladas, dê uma chance a si mesmo. Tenho certeza de que existe a cerveja ideal pra você, só esperando pra ser provada e encher o seu mundo de novos sabores e experiências. E, como uma coisa leva a outra, rapidinho você estará convidando outras pessoas pra partilhar dessa bebida tão incrível. Começa no próximo copo. Saúde!

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Marvada Pinga

“Eu bebo da pinga porque gosto dela
Eu bebo da branca, bebo da amarela
Bebo nos copo, bebo na tijela
E bebo temperada com cravo e canela
Seja quarqué tempo, vai pinga na guela
Oi lá…”

Marvada Pinga - Inezita Barroso

Tem quem demonize o consumo da Danada. E há os que não dispensam uma Dengosa. O é amado, temido, respeitado, criticado, louvado em canções e rejeitado em hinos. Mas a aguardente feita da garapa da cana de açúcar é - indubitavelmente - a bebida que mais tem a cara do Brasil. Surgida entre os anos de 1516 e 1532, provavelmente no litoral paulista, é o primeiro destilado da América Latina, mostrando que a embriaguez também foi pioneira por aqui.

Seu nome oficial tem duas origens prováveis, ambas bastante ordinárias: ‘cachaza’ - vinho de borra, bebida inferior consumida na península ibérica; ou ‘cachaça’ - a fêmea do cachaço, porco do mato, cuja carne dura era amaciada pelo uso da birita. E até hoje é usada para amaciar carnes de bicho e de gente por aí.

Mas se o nome é comum, o preço pode chegar as alturas: teve Água-que-passarinho-não-bebe sendo vendida por R$ 212 mil com diamantes e tal e coisa. E com esse preço, nem o passarinho, nem eu. Mas tem o outro lado do alambique - as chamadas ‘barrigudinhas’ - cachaças clandestinas que vem em embalagens de 490 ml e custavam R$ 1 e foram caso de saúde pública.

Tirando as más intenções de gente inescrupulosa e as frescuras dos que querem mais imagem que conteúdo, fica o legado de bons produtores da Limpa-goela. Existem alambiques produzindo Cambeixa de qualidade em todo o Brasil, por preços justos e dos mais diversos estilos. Diferente de outros tipos de destilado, a Uca pode envelhecer em diversas madeiras diferentes como bálsamo, canela, amburana, castanheira, grápia, jequitibá, carvalho...

E tem a Branquinha, sem envelhecimento, ideal para preparar o coquetel tupiniquim mais famoso do mundo: a caipirinha. E, nesse quesito eu sou purista: caipirinha só tem quatro ingredientes! Limão (não maracujá, pimenta-rosa, carambola, gengibre, abacaxi, physalis…), Açúcar (não adoçante, mel, melaço, xarope…), Cachaça (não Vodka, Rum, Tequila, Grappa, Sakê….) e Gelo. Dá pra fazer as “caipirinhas de…”, e aí você completa o nome do coquetel com a fruta que quiser. Fora isso, o resto pode ter outro nome.

Ter medo da Marvada é ter medo de ser brasileiro. Pra encarar Aquela-que-matou-o-guarda e sair vivinho da silva só precisa de moderação. E talvez uma moda de viola pra acompanhar, ‘Oi lá’!